Por James Garcia Fotos Eduardo Koehler Essa Willys Pickup V8 diesel e tração 6×6 pertence a Eduardo Koehler, residente em Blumenau. Eduardo começou a participar de trilhas como zequinha em jipes de amigos, depois comprou o seu primeiro 4×4 que mantém até hoje, uma Mitsubishi Pajero 3.0 V6 3 portas, toda preparada e que atualmente é usada no dia-a-dia e em viagens mais longas.Como sempre foi fã de veículos off-road e militares, num belo dia de 2010, procurando na internet se deparou com o anúncio dessa picape Willys 1967, equipada com motor Ford V8 diesel importado dos Estados Unidos – o mesmo propulsor usado naqueles famosos caminhões escolares norteamericanos – e montada com uma incomum tração 6×6. O resultado foi que o rapaz acabou se apaixonando. Por conta disso ele foi até o sul do estado, na cidade de Sombrio e depois de alguns meses negociando com o antigo proprietário, acabou fechando negócio. “A curiosidade é que quando a comprei, não contei para ninguém”, comentou. Ele foi com a Pajero buscar a picape e, chegando lá, pendurou a picape atrás com um cambão e foi embora. Como sempre foi fã de veículos off-road e militares, num belo dia de 2010, procurando na internet se deparou com o anúncio dessa picape Willys 1967, equipada com motor Ford V8 diesel importado dos Estados Unidos – o mesmo propulsor usado naqueles famosos caminhões escolares norteamericanos – e montada com uma incomum tração 6×6. O resultado foi que o rapaz acabou se apaixonando. Por conta disso ele foi até o sul do estado, na cidade de Sombrio e depois de alguns meses negociando com o antigo proprietário, acabou fechando negócio. “A curiosidade é que quando a comprei, não contei para ninguém”, comentou. Ele foi com a Pajero buscar a picape e, chegando lá, pendurou a picape atrás com um cambão e foi embora. Na viagem de volta Eduardo enfrentou um congestionamento enorme e acabou por virar a atração da estrada. “As pessoas vinham perguntar sobre os veículos, principalmente o ‘Mamute’”, falou, referindo-se ao apelido da 6×6. Ao chegar em Blumenau, seus conhecidos ficaram espantados. “Me chamaram de maluco e perguntaram se eu queria ir para a guerra”, lembrou. Quando adquiriu essa Willys, a mesma já havia tido sua transmissão convertida de 4×4 para tração 6×6. O veículo estava em estado razoável, mas recebeu uma restauração na lataria e sistema elétrico, além de uma revisão em toda a mecânica. A decisão de fazer uma restauração maior aconteceu logo após a realização de uma trilha mal sucedida, na qual a picape foi muito exigida e acabou quebrando. “Fiquei atolado até a metade da porta, e até o cabo do guincho arrebentou. Tivemos que chamar uma retro escavadeira para desenterrar o mamute do atoleiro”, lembrou sobre o infeliz acontecimento. Como a picape ficou com a lataria amassada e teve algumas peças do diferencial e suspensão danificadas, foi feita uma reforma completa. Segundo o ex-dono, o mecânico Vilson Votri, responsável pela construção da picape, o mais difícil foi acomodar o gigantesco motor V8 diesel dentro do sistema de tração 6×6 não foi baseado em nenhum modelo específico, mas é similar aos sistemas em uso nos utilitários vistos por aí: são três eixos; sendo o dianteiro e os dois traseiros, todos com seus diferenciais. Da caixa de transferência do Mercedes Benz 2213 6×6, saem três eixos cardãs, um para o eixo dianteiro e um para cada um dos eixos de trás, dessa forma a picape roda sempre em 6×4 normal e reduzida e 6×6, somente quando é acionada via alavanca e roda-livre manual. E a tração 6×6 só funciona em reduzida. Eduardo usa sua picape para passeios mais leves, para ir à praia e algumas exposições, principalmente na Fenajeep evento que prestigia sempre. O Mamute já foi muito útil em situações difíceis, como as enchentes que costumam castigar Blumenau, ajudando a remover móveis, geladeiras, freezer e outros equipamentos de escolas que seriam atingidas pelas águas. “Como a capacidade de passagem em água é muito grande, também já ajudamos a resgatar pessoas de áreas alagadas”, contou Eduardo. Uma finalidade à altura de sua capacidade, não é mesmo? FICHA TÉCNICA F75 V8D 6×6 MOTOR: Ford V8, 6.9 litros, dianteiro POTÊNCIA: 270 cavalos COMBUSTÍVEL: diesel TRANSMISSÃO: clark, manual de 4 marchas à frente + ré TRAÇÃO: 6×4 normal e reduzida e 6×6 reduzida através de caixa de transferência Mercedes Benz DIREÇÃO: Full Hydro Orbitrol SUSPENSÃO: feixe de molas do tipo semi-elípticas FREIOS: a tambor, hidráulicos DIMENSÕES (mm) COMPRIMENTO: 3.299 ALTURA: 1.741 LARGURA: 1.749 ENTRE-EIXOS: 2.032 ANGULO DE ENTRADA: 46 ANGULO DE SAÍDA: 35 VÃO-LIVRE: 450 PASSAGEM EM ÁGUA: 1.400 PESO: 4.000 kg CAPACIDADE DE CARGA: 2.500 kg SISTEMA ELÉTRICO: 12 volts PNEUS: 40” (retroescavadeiras) RODAS: 18” CONSUMO Cidade: 6,5 km/l Estrada: 7,5 km/l Média: 7 km/l VELOCIDADE MÁXIMA: 120 km/h TANQUE DE COMBUSTÍVEL: 70 litros (
Brinquedo de gente grande ou off-road em escala reduzida?
Uma Rural com patas
Franco Gommersbach é diretor da Ensimec, a tradicional fabricante de bloqueios de diferenciais, eixos diferenciais, guinchos mecânicos e hidráulicos, eixos, pontas de eixo e uma extensa linha de acessórios dedicada ao off-road. Uma de suas últimas criações foi essa Rural cheia de surpresas. O projeto foi feito em parceria com os colaboradores Rodrigo Zunino, 33 e Guilherme Lingner. A ideia era ter um 4×4 que fosse funcional, mostrasse mecanismos que o diferenciassem da maioria e também um portfólio ambulante de sua marca. O velho conjunto motriz constituído pelo motor BF-161 seis cilindros e o câmbio original de três marchas cederam lugar ao propulsor Ford V6 – original da Ford Ranger –, com 162 cavalos e torque de 31,1 kgfm. A ele foi conectado um câmbio e caixa de transferência das últimas séries do Toyota Bandeirante. Essa Willys recebeu eixos, pontas de eixos, high steer (peças acopladas aos munhões dianteiros e à barra de direção, que possibilitam a montagem das duas peças sobre acima dos feixes de mola) e barramentos de direção. Na suspensão retirou-se os eixos e feixes originais traseiros – trocados por feixes maiores do Toyota Bandeirante – e adotados braços móveis estilo Engesa e molas helicoidais na frente. A relação de diferencial escolhida é a mesmo do Troller (11×47). Ainda na parte inferior, fixados de forma a não serem vistos, há dois guinchos hidráulicos com capacidade para 6.500 quilos, fixados nas extremidades do carro. E nas pontas de cada longarina estão os incrementos que mais diferenciam essa surpreendente Rural das demais – as sapatas hidráulicas projetadas para transformar esse 4×4 em uma verdadeira estação de trabalho e apoio. Os mecanismos são similares àqueles vistos em tratores e caminhões usados em grandes obras e construções, para que fiquem ancorados no solo e tenham o máximo de firmeza, tornando possível a realização das mais diversas operações. A tomada de força fica acima de uma generosa bomba hidráulica, que tem capacidade de 40 litros e todos os comandos são hidráulicos. Dentro da Rural, próximo aos controles comuns temos mais seis alavancas, sendo, o câmbio, tração 4×4 e reduzida, tomada de força, freio de estacionamento, controle da sapata dianteira esquerda, controle da sapata dianteira direita, guincho dianteiro, sapata traseira e guincho traseiro. Haja alavanca e habilidade para manusear tudo isso! Ficha Técnica – Rural Willys 1969 Ensimec Motor: longitudinal, 6 cilindros em V; comando no bloco, 12 válvulas. Cilindrada: 4.011 cm3 Potência: 162 cavalos a 4.200 rpm Torque: 31,1 kgfm a 2.750 rpm Diâmetro e curso: 100,42 x 84,4 mm Alimentação: injeção multiponto seqüencial Combustível: gasolina Transmissão: manual, quatro marchas + ré; original Toyota Bandeirante. Relação de diferenciais 11 x 47 Tração: tração 4×2 traseira e tração 4×4 (normal e 4×4 reduzida), com acionamento manual Suspensão Dianteira: eixo rígido, braços móveis, molas helicoidais, amortecedores de dupla ação Traseira: eixo rígido, feixe de molas semi-elípticas e amortecedores dupla ação Freios Dianteiro e traseiro: a disco Rodas: aro 15” Pneus: Mud Terain 33” x 12,5” x 15” Dimensões (mm) Comprimento: 5.000 Largura total com retrovisores e estribo: 1.900 Altura total: 2.150 Vão livre: 530 Bitola: 1.220 Entre-eixos: 2.650 Velocidade máxima: Não aferida Tanque de combustível: 72 litros Consumo aproximado/não aferido Cidade: 5,0 km/l Estrada: 9,0 km/l Detalhes e acessórios: Guincho Ensimec Hidráulico 6500 quilos (dianteira e traseira), sistema customizado de sapatas hidráulicas
Um CJ5 com mecânica atualizada e bem acertado…
Esse Willys 1961 pertence ao empresário turístico Tiago Parmegiani, residente na bela Canela, RS. Assim como em toda a região da Serra Gaúcha, a geografia de Canela, RS é muito propícia ao off-road. O Jeep foi comprado em 2011 ainda com a mecânica original em bom estado e já pintado dessa cor. O trabalho começou pela suspensão, bem modificada, que utiliza eixos da Rural, 20 centímetros mais largos que os do Jeep. O sistema usa ainda barras articuláveis do Mitsubishi Pajero Sport e as molas helicoidais do GM Opala. Tiago adquiriu o motor VW AP 2.0, que foi todo revisado, ao mesmo tempo em que a carroceria recebia uma nova pintura. O chassi ganhou reforço com cinta de aço por cima e por baixo; foram fixados os eixos de rural com freios a disco ventilados nas quatro rodas (com pinças da S10) e ocorreu a fixação da suspensão. Depois foi instalada a direção hidráulica da GM S10, com barras de direção da F1000. Com a carroceria pronta, foram colocados calços de carroceria maiores e, na seguida, foram posicionados o motor e a caixa Clark de cinco marchas, original do GM Chevette, com o uso de flanges para acoplamento com a caixa de transferência original Willys. Os eixos cardã foram feitos sob medida, assim como os para-choques tipo asa delta dotados com berço para o guincho elétrico de 12.000 libras. O tanque de combustível localizado sob o banco do motorista deu lugar a um de plástico com maior capacidade, fixado na parte traseira. Para evitar falta de combustível, um cash tanq foi utilizado. Para deixar o bocal de abastecimento de combustível com visual melhor, Tiago usou o modelo da motocicleta RD 350. As rodas cromadas tem aros 15×10 polegadas e são calçadas com pneus recapados Mud Terrain de 33 polegadas. Na parte externa ainda foi utilizado uma capota e espelhos retrovisores ao estilo do Jeep Wrangler. O interior foi bem trabalhado, com bancos, cintos de 4 pontas, volante e gaiola de competição baseada em veículos norte americanos. Há mais espaço interno e mais pontos de proteção. “Na prática, o jipe ficou muito bom de andar, tem força suficiente e é bem confortável na cidade. Ele está com a aparência que eu queria, por um custo beneficio muito bom. Usei mecânica simples e eficiente, com manutenção barata”, comentou. Sem dúvida, uma preparação equilibrada e eficiente. Ficha técnica Motor: VW AP 2.0, longitudinal, quatro cilindros em linha, duplo comando no cabeçote, quatro válvulas por cilindro. Cilindrada: 1.984 cm3 Potência: 145,5 cavalos a 6.250 rpm Torque: 18,4 kgfm a 5.750 rpm Taxa de compressão: 10,5:1 Diâmetro x curso: 82,5 x 92,8 mm Combustível: gasolina Alimentação: injeção multiponto sequencial Refrigeração: água Transmissão Câmbio: manual de cinco velocidades + ré Tração: 4×2 com 4×4 e 4×4 reduzida optativa através de caixa de transferência Willys Overland Suspensão Dianteira e traseira: eixos r[igidos, barras Mitsubishi Pajero Sport, molas helicoidais GM opala Direção: hidráulica GM S10 Freios Dianteiro e traseiro: discos ventilados nas quatro rodas, pinças da GM S10 4×4 Rodas: cromadas 15×10” Pneus: 33” x 12.5 x 15, mud terrain, recapados Dimensões (mm) Comprimento: 3.600 Largura carroceria: 1.500 Largura total com retrovisores e estribo: 1.900 Altura total: 2.100 Altura com para-brisa rebatido: 1.500 Vão livre: 570 Passagem em água: 1.100 Bitola: 1.250 Entre-eixos: 2.100 Peso: 1.350 kg Capacidade de carga: 400 kg Velocidade máxima: 120 km/h Tanque de combustível: 65 litros Consumo Cidade: 7km/l Estrada: 11 km/l Acessórios: Guincho elétrico Winch 12.000, gaiola tipo competição, eixos de Rural “canela grossa” revisados, calço de carroceria da Ford F-4000 de 2,5”, barras de direção da F-1000, tanque de 60 litros na traseira, cash tank de 2 litros, parachoques, estribos laterais e suporte de estepe e galão especiais, bancos concha, cintos de 4 pontos, volante de competição, pedaleira suspensa, retrovisores tipo Wrangler, relógios de pressão de óleo, temperatura, voltímetro, combustível e contagiros, capota conversível verde militar.
E o Mutt, hein? Que baita jipe!!!
O maravilhoso Ford Mutt 151 1971 que você vê nessas fotos, pertence ao administrador Jorge Luiz dos Santos, morador de Jundiaí, SP. Jorge viu esse Mutt pela primeira vez em Pomerode, SC, numa exposição de carros antigos. “Ele me custou um Land Rover Defender 110 2001 e mais um carnê de pagamento”, comentou. A recuperação da lataria, substituição do motor original Ford L 142 pelo AP 2.0 e adição de direção hidráulica ficou a cargo do amigo e funileiro Moacir Pein. “O motor original funciona e está sobre um cavalete, para matar a curiosidade de alguns. Se quiser posso instalá-lo a qualquer momento”, comentou. Que luxo, não? Ficha Técnica – Ford Mutt 1971 Denominação: Caminhão ¼ de tonelada, utilitário, M151 Mutt – Veículo Militar Tático Utilitário Motor: AP 2.0, dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha Potência: 116 cavalos a 4.250 rpm Torque: 22,3 kgfm a 3.000 rpm Taxa de compressão: 10:1 Alimentação: injeção eletrônica Combustível: gasolina Transmissão: quatro marchas à frente + ré. Tração 4×2 com opção para 4×4 através de caixa de transferência. Direção: hidráulica Freios Dianteiro e traseiro: a tambor, hidráulico Suspensão Dianteira e traseira: independente, molas helicoidais Rodas: 16” Pneus: 700/750 x 16” Dimensões (mm) Comprimento: 3.350 Largura: 1.580 Altura: 1.829 Entre-eixos: 2.150 Bitola: 1.340 Ângulo de entrada: 66º Ângulo de saída: 37º Peso líquido: 1.012 kg Capacidade de carga: 514 kg (estrada) e 362 kg (fora de estrada) Tanque de combustível: 56 litros
Não saber brincar? Não desce para o play…
O nome dado a esse, que talvez seja o maior jipe do Brasil, faz juz ao seu tamanho: Exterminador! O empresário gaúcho André de Schuch d´Olyveira, fazia trilhas desde criança, pois seu pai plantava arroz em regiões de banhado no Rio Grande do Sul. Mas a história do Exterminador começou quando um amigo (sempre eles!) – comprou um chassi de F-600 4×4, a cabine do Engesa EE-15, um motor V6 refrigerado a ar e pneus 1.400 R20”. Depois de já ter gasto mais de R$ 50 mil, e perceber que tinha apenas um chassi com a mecânica adaptada, o ex-dono desanimou, encostando o jipe por sete anos. Certo dia André recebeu uma ligação, dizendo que se não comprasse, o projeto seria desmontado. Ele encarou, mas fez de seu jeito, a começar pela troca dos pneus por modelos 540/65R28”, com rodas 28×18”, sem câmera. Os eixos originais de caminhão Engesa deram lugar a eixos do caminhão MB 4×4, equipados com freios a disco, enquanto a suspensão, que era toda nova foi para o lixo, pois André queria molas parabólicas, prezando o conforto e a eficiência da torção da suspensão. O motor Deutz-Magirus V6 de 8.5 litros, com originalmente 182 cavalos a 2.650 rpm foi revisado e turbinado, tendo a potência ampliada para 300 cavalos a 3.100 rpm. O propulsor ganhou bicos injetores e elementos maiores na bomba injetora. O motor tem ainda duas turbinas Holset HX-30 com 1,8 kg de pressão. O dono jateou e pintou novamente o chassi e todas as peças que não eram novas tiveram os componentes trocados. A carroceria do EE-15 agora tem cabine dupla, sendo que as laterais são novas, cortadas com plasma. Depois foi o mais difícil, deixá-lo bonito. “O EE-15 é o 4×4 mais feio que já vi, depois do Javali!”, brincou André. A solução encontrada foi projetar uma grade frontal com aletas em toda extensão, um capô novo, e para-lamas mais largos para comportar os pneus de 540 mm de largura. “Depois foi só fazer os estribos, os para-lamas traseiros e uma caçambinha. Pronto, agora não é mais feio!”, tirou onda. No para-choque, que é de chapa de 1/2” e pesa 120kg, é fixado o guincho mecânico do caminhão REO 5 ton. A caixa de transferência do F-600 4×4, teve as engrenagens internas alteradas para gerar um overdrive de 30%, ou seja, quando não está na reduzida, ela tem relação 1:1,3 e não 1:1. O câmbio foi trocado por um de caminhão MB 1113. A relação de marchas foi alongada, para o jipe ficar econômico e silencioso. “Usamos diferenciais de ônibus bem longos, que ficaram perfeitos com os pneus de 60” e o overdrive extra. Eu viajo entre 80 e 100 km/h, numa faixa de 1.140 e 1.430 giros”, explicou. A parte de acionamento do 4×4 e do guincho mecânico é feito por botões no painel. Tudo funciona através de cilindros pneumáticos e eletroválvulas com tensão de 12V. A reduzida é acionada por alavanca, pois para o guincho funcionar precisa estar em neutro. O tanque de gasolina é o da F-1000 de plástico, com capacidade para 100 litros. Já o painel veio do caminhão MB, mas ganhou voltímetro, manômetro de pressão de turbo e conta giros. Complicado foi adaptar os discos de freios acionados a ar. “Mandei fundir os discos e usamos as pinças do MB 709. Para não pegar no munhão e frear bem, os discos precisam ser grandes. Como as pinças não entravam no disco, fundimos várias peças até chegar ao ponto. “É o freio a disco mais caro da história”, citou o proprietário desse gigante de aço do Rio Grande do Sul. Animal! Ficha Técnica MOTOR: Deutz-Magirus V6, biturbo, 8.4L, refrigerado a ar e65kg de torque) POTÊNCIA: 300 cavalos a 3.000 rpm TORQUE: 65 kgfm a 2.000 rpm COMBUSTÍVEL: Diesel TRANSMISSÃO: Caixa Mercedes 1113, de cinco marchas + ré com 30% de overdrive (alterado internamente ) TRAÇÃO: 4×2, 4×4 e 4×4 reduzida através de caixa de transferência Engesa F600 4×4 . Eixo dianteiro Mercedes 1115 com semi eixos fabricação própria (mais fortes) e coroa e pinhão de 1513, encurtado. Eixo Traseiro Mercedes 1513 DIREÇÃO: Hidráulica SUSPENSÃO: feixe de molas do tipo semi-elípticas. Molas parabólicas, 3 lâminas por feixe, com 1.850 mm de comprimento na frente e 1.750 atrás. FREIOS: Discos nas quatro rodas, acionados 100% a ar, com estacionário nas rodas traseiras RODAS: 28×18” especiais para montar sem câmera PNEUS: Mitas 540/65R28”, radial, high speed DIMENSÕES (mm) BITOLA: 2.040 PASSAGEM EM ÁGUA: 1.300 VÃO-LIVRE: 520 PESO: 5.000 kg CAPACIDADE DE CARGA: 2.500 kg TANQUE DE COMBUSTÍVEL: 100 litros CONSUMO: Cidade 3,5 km/l Estrada: 6 km Acessórios: Guincho mecânico Caminhão REO 5 Toneladas
O charme do Willys 54
Duallity – Um veículo conceitual brasileiro, premiado nos EUA
O autor dos belos traços é o designer paranaense Fernando Machado, 38 anos, que desde 2007 reside com sua família em Caxias do Sul, RS, onde iniciou a carreira profissional na empresa Agrale, tradicional fabricante de tratores, caminhões e da família Marruá de jipes 4×4. Fernando interessou-se por design automotivo aos treze anos, quando ganhou de um tio um presente que mudaria sua vida um livro que ensinava os princípios básicos para desenhar carros. Aquele livro despertou o interesse no jovem, que depois viria a se formar bacharel em design de produto pela UTP – Universidade Tuiuti do Paraná (2004) e pós-graduação em ergonomia pelo IAHCS – Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde – (2012), Porto Alegre, RS. O autor explica o conceito de seu híbrido do futuro, batizado de Duality: “é um veículo que nasceu com uma grande ambição: tornar-se o primeiro carro no mundo a preencher requisitos de um fora-de-estrada e um veículo de corrida”. Mas como harmonizar essas duas características tão extremas? O veículo tem quatro conjuntos compostos por dois pneus (um fora de estrada e outro para altas velocidades e performances de velocidade), dois polímeros hexagonais (para alta absorção de impacto e que cumprem o papel da câmara de pneu convencional), duas rodas e seis células de energia. Além disso, uma suspensão altamente articulada que permite ao veículo alternar entre os modos fora de estrada e de alta velocidade. Detalhe muito interessante é que os quatro motores ficam dentro dos pneus. A vantagem é aumentar o espaço interno da cabine e baixar o centro de gravidade, assegurando maior estabilidade ao veículo. Para proporcionar maior segurança para as pessoas ao redor do carro, quando os pneus off-road estão funcionando, os de alta velocidade ficam parados e vice-versa, como uma função de para-lamas. Fernando explica o conceito do interior do Duality: “o módulo undrive é uma verdadeira área de revitalização. A cabine tem teto transparente, permitindo aos passageiros admirar a paisagem enquanto descansam em um assento que simula os movimentos de um massagista profissional. A ideia é relaxar depois de um dia de problemas, promover a interação com a família e amigos, fazer reuniões de negócios, desfrutar de jogos de vídeo ou mesmo fazer compras através de hologramas de realidade virtual”. Realmente é um veículo que proporciona emoção pura. O autor ainda provoca: “Imagine correr na alta estrada e ter a possibilidade de deixar o asfalto e saltar na lama sem atolar?” Esse carro ultramoderno nasceu quando Fernando riscava algumas linhas num hexágono. Num certo momento ele percebeu que aquela poderia ser a vista frontal de um automóvel. Então o desafio foi gerar um 3D (ilustração em três dimensões) que fosse harmonioso em todos os ângulos de visão. Assim surgiu o Duality. Embora seja puramente conceitual, o autor quer ir adiante com seu projeto. Para o futuro ele quer patentear a ideia, buscar parcerias nas áreas deengenharias elétrica e mecânica, para realizar estudos e simulações virtuais para a suspensão e os motores, confeccionar uma maquete e ir galgando mais degraus. E ele já vem colhendo frutos pelo trabalho, pois o Duality foi um dos 15 selecionados no importante concurso Michelin Challenge Design, promovido pela marca francesa de pneus, e que já está em sua 13ª edição. “Espero conseguir maior visibilidade por ter sido selecionado num concurso que é tão concorrido”, comentou. Esse ano foram 900 trabalhos inscritos de 74 países. E apenas um do Brasil! Esse conceito foi exposto no Salão do Automóvel de Detroit, em Janeiro. Um exposição justa e merecida para um designer brasileiro, na meca do automobilismo.
