Uma Rural com patas

Franco Gommersbach é diretor da Ensimec, a tradicional fabricante de bloqueios de diferenciais, eixos diferenciais, guinchos mecânicos e hidráulicos, eixos, pontas de eixo e uma extensa linha de acessórios dedicada ao off-road. Uma de suas últimas criações foi essa Rural cheia de surpresas. O projeto foi feito em parceria com os colaboradores Rodrigo Zunino, 33 e Guilherme Lingner. A ideia era ter um 4×4 que fosse funcional, mostrasse mecanismos que o diferenciassem da maioria e também um portfólio ambulante de sua marca. O velho conjunto motriz constituído pelo motor BF-161 seis cilindros e o câmbio original de três marchas cederam lugar ao propulsor Ford V6 – original da Ford Ranger –, com 162 cavalos e torque de 31,1 kgfm. A ele foi conectado um câmbio e caixa de transferência das últimas séries do Toyota Bandeirante. Essa Willys recebeu eixos, pontas de eixos, high steer (peças acopladas aos munhões dianteiros e à barra de direção, que possibilitam a montagem das duas peças sobre acima dos feixes de mola) e barramentos de direção. Na suspensão retirou-se os eixos e feixes originais traseiros – trocados por feixes maiores do Toyota Bandeirante – e adotados braços móveis estilo Engesa e molas helicoidais na frente. A relação de diferencial escolhida é a mesmo do Troller (11×47). Ainda na parte inferior, fixados de forma a não serem vistos, há dois guinchos hidráulicos com capacidade para 6.500 quilos, fixados nas extremidades do carro. E nas pontas de cada longarina estão os incrementos que mais diferenciam essa surpreendente Rural das demais – as sapatas hidráulicas projetadas para transformar esse 4×4 em uma verdadeira estação de trabalho e apoio. Os mecanismos são similares àqueles vistos em tratores e caminhões usados em grandes obras e construções, para que fiquem ancorados no solo e tenham o máximo de firmeza, tornando possível a realização das mais diversas operações. A tomada de força fica acima de uma generosa bomba hidráulica, que tem capacidade de 40 litros e todos os comandos são hidráulicos. Dentro da Rural, próximo aos controles comuns temos mais seis alavancas, sendo, o câmbio, tração 4×4 e reduzida, tomada de força, freio de estacionamento, controle da sapata dianteira esquerda, controle da sapata dianteira direita, guincho dianteiro, sapata traseira e guincho traseiro. Haja alavanca e habilidade para manusear tudo isso! Ficha Técnica – Rural Willys 1969 Ensimec Motor: longitudinal, 6 cilindros em V; comando no bloco, 12 válvulas. Cilindrada: 4.011 cm3 Potência: 162 cavalos a 4.200 rpm Torque: 31,1 kgfm a 2.750 rpm Diâmetro e curso: 100,42 x 84,4 mm Alimentação: injeção multiponto seqüencial Combustível: gasolina Transmissão: manual, quatro marchas + ré; original Toyota Bandeirante. Relação de diferenciais 11 x 47 Tração: tração 4×2 traseira e tração 4×4 (normal e 4×4 reduzida), com acionamento manual Suspensão Dianteira: eixo rígido, braços móveis, molas helicoidais, amortecedores de dupla ação Traseira: eixo rígido, feixe de molas semi-elípticas e amortecedores dupla ação Freios Dianteiro e traseiro: a disco Rodas: aro 15” Pneus: Mud Terain 33” x 12,5” x 15” Dimensões (mm) Comprimento: 5.000 Largura total com retrovisores e estribo: 1.900 Altura total: 2.150 Vão livre: 530 Bitola: 1.220 Entre-eixos: 2.650 Velocidade máxima: Não aferida Tanque de combustível: 72 litros Consumo aproximado/não aferido Cidade: 5,0 km/l Estrada: 9,0 km/l Detalhes e acessórios: Guincho Ensimec Hidráulico 6500 quilos (dianteira e traseira), sistema customizado de sapatas hidráulicas

Não saber brincar? Não desce para o play…

O nome dado a esse, que talvez seja o maior jipe do Brasil, faz juz ao seu tamanho: Exterminador! O empresário gaúcho André de Schuch d´Olyveira, fazia trilhas desde criança, pois seu pai plantava arroz em regiões de banhado no Rio Grande do Sul. Mas a história do Exterminador começou quando um amigo (sempre eles!) – comprou um chassi de F-600 4×4, a cabine do Engesa EE-15, um motor V6 refrigerado a ar e pneus 1.400 R20”. Depois de já ter gasto mais de R$ 50 mil, e perceber que tinha apenas um chassi com a mecânica adaptada, o ex-dono desanimou, encostando o jipe por sete anos. Certo dia André recebeu uma ligação, dizendo que se não comprasse, o projeto seria desmontado. Ele encarou, mas fez de seu jeito, a começar pela troca dos pneus por modelos 540/65R28”, com rodas 28×18”, sem câmera. Os eixos originais de caminhão Engesa deram lugar a eixos do caminhão MB 4×4, equipados com freios a disco, enquanto a suspensão, que era toda nova foi para o lixo, pois André queria molas parabólicas, prezando o conforto e a eficiência da torção da suspensão. O motor Deutz-Magirus V6 de 8.5 litros, com originalmente 182 cavalos a 2.650 rpm foi revisado e turbinado, tendo a potência ampliada para 300 cavalos a 3.100 rpm. O propulsor ganhou bicos injetores e elementos maiores na bomba injetora. O motor tem ainda duas turbinas Holset HX-30 com 1,8 kg de pressão. O dono jateou e pintou novamente o chassi e todas as peças que não eram novas tiveram os componentes trocados. A carroceria do EE-15 agora tem cabine dupla, sendo que as laterais são novas, cortadas com plasma. Depois foi o mais difícil, deixá-lo bonito. “O EE-15 é o 4×4 mais feio que já vi, depois do Javali!”, brincou André. A solução encontrada foi projetar uma grade frontal com aletas em toda extensão, um capô novo, e para-lamas mais largos para comportar os pneus de 540 mm de largura. “Depois foi só fazer os estribos, os para-lamas traseiros e uma caçambinha. Pronto, agora não é mais feio!”, tirou onda. No para-choque, que é de chapa de 1/2” e pesa 120kg, é fixado o guincho mecânico do caminhão REO 5 ton. A caixa de transferência do F-600 4×4, teve as engrenagens internas alteradas para gerar um overdrive de 30%, ou seja, quando não está na reduzida, ela tem relação 1:1,3 e não 1:1. O câmbio foi trocado por um de caminhão MB 1113. A relação de marchas foi alongada, para o jipe ficar econômico e silencioso. “Usamos diferenciais de ônibus bem longos, que ficaram perfeitos com os pneus de 60” e o overdrive extra. Eu viajo entre 80 e 100 km/h, numa faixa de 1.140 e 1.430 giros”, explicou. A parte de acionamento do 4×4 e do guincho mecânico é feito por botões no painel. Tudo funciona através de cilindros pneumáticos e eletroválvulas com tensão de 12V. A reduzida é acionada por alavanca, pois para o guincho funcionar precisa estar em neutro. O tanque de gasolina é o da F-1000 de plástico, com capacidade para 100 litros. Já o painel veio do caminhão MB, mas ganhou voltímetro, manômetro de pressão de turbo e conta giros. Complicado foi adaptar os discos de freios acionados a ar. “Mandei fundir os discos e usamos as pinças do MB 709. Para não pegar no munhão e frear bem, os discos precisam ser grandes. Como as pinças não entravam no disco, fundimos várias peças até chegar ao ponto. “É o freio a disco mais caro da história”, citou o proprietário desse gigante de aço do Rio Grande do Sul. Animal! Ficha Técnica MOTOR: Deutz-Magirus V6, biturbo, 8.4L, refrigerado a ar e65kg de torque) POTÊNCIA: 300 cavalos a 3.000 rpm TORQUE: 65 kgfm a 2.000 rpm COMBUSTÍVEL: Diesel TRANSMISSÃO: Caixa Mercedes 1113, de cinco marchas + ré com 30% de overdrive (alterado internamente ) TRAÇÃO: 4×2, 4×4 e 4×4 reduzida através de caixa de transferência Engesa F600 4×4 . Eixo dianteiro Mercedes 1115 com semi eixos fabricação própria (mais fortes) e coroa e pinhão de 1513, encurtado. Eixo Traseiro Mercedes 1513 DIREÇÃO: Hidráulica SUSPENSÃO: feixe de molas do tipo semi-elípticas. Molas parabólicas, 3 lâminas por feixe, com 1.850 mm de comprimento na frente e 1.750 atrás. FREIOS: Discos nas quatro rodas, acionados 100% a ar, com estacionário nas rodas traseiras RODAS: 28×18” especiais para montar sem câmera PNEUS: Mitas 540/65R28”, radial, high speed DIMENSÕES (mm) BITOLA: 2.040 PASSAGEM EM ÁGUA: 1.300 VÃO-LIVRE: 520 PESO: 5.000 kg CAPACIDADE DE CARGA: 2.500 kg TANQUE DE COMBUSTÍVEL: 100 litros CONSUMO: Cidade 3,5 km/l Estrada: 6 km Acessórios: Guincho mecânico Caminhão REO 5 Toneladas

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